Cazuza
Há mais de uma década, o Brasil
chorava a morte de Cazuza. Aquele garoto exagerado que chocara o
país com suas letras provocativas, com a ironia à
flor da pele, e que também mostrou toda sua sensibilidade em
canções como "Todo Amor que Houver Nessa Vida",
falecia vítima da AIDS no dia 7 de julho de 1990.
Era a primeira vez que todo o Brasil assistia a uma morte lenta
como aquela. O símbolo sexual se tornar uma figura abatida e
franzina, mas que nunca perdeu a vontade de viver. Só para
se ter uma idéia da força de vontade do cantor,
durante uma de suas crises em 89 - decorrentes da AIDS - Cazuza
gravou em uma maca seu último trabalho, o álbum duplo
"Burguesia".
Era com essa mesma vitalidade que o garoto Cazuza - apelido que
significa moleque, no nordeste - escrevia seus poemas e ia correndo
mostrar para avó. Só aos 23 anos ele percebeu que
tudo aquilo que colocava no papel podia virar música. E foi
assim, repentinamente, que se formou o Barão Vermelho.
O cantor Leo Jaime apresentou Cazuza aos ainda moleques Roberto
Frejat (guitarra), Maurício Barros (teclados), Dé
(baixo) e Guto Goffi (bateria). E mesmo contra a vontade do pai de
Cazuza, João Araújo, - que era presidente da Som
Livre na época - o Barão Vermelho gravou seu primeiro
álbum.
O disco não emplacou logo de cara. Foi só quando
Caetano Veloso incluiu no repertório de seu show, a
música "Todo Amor que Houver Nessa Vida", de Cazuza e
Frejat, que o Brasil todo conheceria o Barão Vermelho. O
resto, como se diz por aí, é história.
Em 84, Cazuza se separou do Barão, para seguir carreira
solo. A essa altura, já era conhecido por suas letras e
admirado por grandes nomes da música brasileira. Daí
para frente, fez todo tipo de música, de bossa nova como
"Faz Parte do Meu Show", até blues.
Em 1987, recebeu a confirmação de que era
soropositivo e passou dois meses hospitalizado em Boston, nos
Estados Unidos, submetendo-se a tratamento com AZT. Melhor de
saúde, em 1988, grava Ideologia e recebe o prêmio
Sharp de música. Com esse álbum, vieram sucessos como
"Brasil", "Faz Parte do Meu Show", "Boas Novas" e a faixa
título.
Após sua morte, Cazuza não se calou. Sua palavras
ecoaram através de inúmeros CDs tributo, gravados por
famosos intérpretes da música brasileira, como Ney
Matogrosso. Além disso, no ano passado, o musical "Cazas de
Cazuza" de Rodrigo Pitta, mostrou ao Brasil as diversas faces do
cantor através de suas músicas.